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Em busca da cerveja perfeita: Uma aventura entre os campos de lúpulo e mosteiros da Bélgica
Destaque

10 Maio 2019
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Autor :   Saulo Farias

Esse artigo é para os amantes das cervejas. Viajantes que onde quer que estejam experimentam as brejas locais para aumentar o currículo cervejístico. Fizemos uma aventura entre os campos de trigo e lúpulo do interior da Bélgica em busca do mosteiro Saint Sixtus onde os monges fabricam a cerveja mais famosa do mundo, a Westvleteren 12 (W120). Vamos contar os detalhes aqui.

Que nós gostamos muito de cerveja todo mundo já sabe, especialmente quem nos conhece pessoalmente e no instagram (@comerrezarviajar). No verão de 2017 fizemos uma roteiro que pretendia passar pelos principais países e cidades produtoras de cervejas. Nosso roteiro começava pela Alemanha, passava pela Bélgica, Holanda, Dinamarca e República Tcheca.

Esse artigo conta parte da nossa Trip Brew, uma aventura que fizemos na Bélgica para visitar a Saint Sixtus Abdji localizada em Westwleteren, região rural de Poperinge, capital mundial do lúpulo. É no Saint Sixtus que se fabrica a mítica Westwleteren 12 (W12), considerada por muitos mestres cervejeiros como a melhor cerveja do mundo.

Contaremos aqui nossa pequena aventura que partiu de Bruges e se embrenhou pelo interior do país em busca de uma experiência única, que teve também muitos momentos hilários.

 

Um pouco da história da Abadia

 

Conhecer os mosteiros trapistas para experimentar in situ as famosas fórmulas medievais é o sonho de qualquer amante de cerveja. Existem certas condições para as cervejas receberem o título de trapista, ela deve ser produzida como atividade secundária nos mosteiros ou sob a supervisão dos monges, cujo lema de vida é a expressão beneditina Ora et Labora (tradução “ore e trabalhe”). Também faz parte das regras parte dos lucros da produção ser destinado a serviços e entidades com fins sociais.

Essas características acabam por valorizar muito as cervejas, tanto na sua fabricação quase artesanal quanto no preço, pois a produção é lenta, irregular e não se remete ao intenso mercado.

Na Bélgica encontram-se a maior parte dos mosteiros trapistas produtores de cerveja: Westvleteren, Chimay, Orval, Westmalle, Achel e La Trappe. Gostaríamos muito de ter visitado todos eles, pois suas cervejas são excepcionais, mas devido à falta de tempo e a logística, partindo de Bruges, fomos conhecer logo quem interessava, o Saint Sixtus Abjda, onde se fabrica a Westwleteren 12.

A Sint Sixtus foi fundada em 1831, porém registros dão conta da existência de pelo menos três mosteiros anteriores na mesma localidade. A produção de cerveja foi a alternativa que os monges encontraram, na época, para criar uma receita extra; a comercialização, no entanto, só teve início em 1838.

É possível se hospedar na St. Sixtus, mas Infelizmente, não é possível conhecer as dependências onde se fabricam as cervejas.

 

O trajeto

 

De Bruges até a abadia (Poperinge), são cerca de 70 quilômetros. Esse trajeto pode ser feito de carro ou de trem. Nós optamos em realizá-lo de trem, pois com certeza iríamos beber (as leis de trânsito belgas quanto ao consumo de álcool são rigorosas), os custos seriam menores e poderíamos fazer o trajeto centro de Poperinge x Saint Sixtus (aprox. 6 km) de bicicleta alugada, passeando por entre os campos de trigo e lúpulo.

Partimos da estação central de Bruges (Bruges Train Station) com destino a Poperinge. O trajeto mais rápido dura em torno de 2h com uma rápida baldeação na estação de Kortrijk. Os trens são muito confortáveis e possuem muitas combinações de horários para esse trajeto. Não há necessidade de reservá-los com antecedência, mesmo na alta temporada pode-se comprar os tickets na própria estação alguns minutos antes de partir.

Partindo da estação de Poperinge existem várias maneiras de chegar ao mosteiro, a pé em uma caminhada de aprox. 6 km, de bicicleta, que pode ser alugada em pequenas locadoras no centro da cidade, de táxi (aprox. 25 euros) ou reservar, com antecedência, lugares em um micro ônibus da companhia West Flanders, a BelBus. Para utilizar o ônibus tenha os horários dos trens em mãos, ligue para a BelBus com antecedência, de preferência no dia anterior. O telefone é +32 059 56 52 56.

A atendente fará um rápido cadastro com você e logo após terá que escolher o horário e o local onde pegará o ônibus. O ideal é marcar para sair da estação de trem de Poperinge e avise que você vai para a Abadia de Sint Sixtus. Aproveite pra marcar logo o horário de volta também (e calcule ao menos de 3 a 4 horas no restaurante - In de Vrede/Abadia). O custo é de aprox. 2 euros por pessoa e é pago no ônibus. Ao chegar em Poperinge, o micro ônibus estará te esperando no horário combinado, bem em frente à estação, e te deixará na porta da abadia.

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O google maps sacaneando nossa trip

 

No nosso caso, ao chegar na estação de Poperinge, um pouco afastada do centro da cidade, resolvemos colocar no Google maps o endereço do Saint Sixtus, achando que qualquer rota nos levaria a passar pelo centro ou no caminho encontraríamos alguma locadora de bicicletas. Após andar por quase 20 minutos entre as ruas, percebemos que aos poucos as casas iam sumindo dando lugar a campos abertos de trigo. Começamos a estranhar a demora para chegar no centro e vimos que o aplicativo tinha nos levado para uma rota alternativa, nos tirando cerca de 1km do centro de Poperinge já nos deixando no meio dos campos.

Como sempre uma coisa ruim pode piorar, começou a chover forte. Não tínhamos levado guarda chuvas ou capas, a essa altura quase não havia mais casas e as poucas que estavam à beira da estrada não tinham abas nos telhados, ou seja, não tínhamos para onde correr. Pelo Google maps já tínhamos andado cerca de 2km dos quase 6km em uma estradinha asfaltada sem acostamento, sem civilização e sem sequer um meio de transporte para pedirmos carona. Pensamos em desistir, molhados, com medo do mapa estar errado, mas como já tínhamos chegado até ali, quase na metade do caminho, continuamos. Fomos curtindo o visual bucólico do caminho, fazendas com vacas leiteiras, campos dourados de trigo e muitos varais com lúpulo.

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Ficamos surpresos com a planta, nunca tínhamos visto um "pé de lúpulo", nem por foto, imaginávamos uma forma completamente diferente, não uma grande trepadeira com brotos verdinhos.

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Enfim achamos o Saint Sixtus

 

Após quase 2 horas andando avistamos ao longe uma construção parecida com as fotos da abadia que vimos. Nesse exato momento de euforia São Pedro nos brindou com uma grossa nuvem que descarregou sua fúria terminando de nos encharcar.

Ao chegar no mosteiro vimos logo em frente o In de Vred, café/restaurante mantido pela entidade onde são servidos os produtos fabricados no mosteiro. No café são servidas as três versões da Westvleteren: 

Westvleteren Blonde (5,8%, €3,90), Westvleteren 8 (escura 8%, €4,50) e Westvleteren 12 (escura 10.2%, €5,10), a mais famosa, aquela que ganhou o título de melhor do mundo.

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O restaurante estava lotado e pensamos por onde esse tanto de gente havia passado que não vimos ninguém.

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O restaurante tem uma grande área interna e um jardim nos fundos com grandes mesas coletivas e mesas menores com guarda sóis e uma lista vista para os campos de trigo. Foi só a gente colocar os pés dentro do restaurante que a chuva parou e deu lugar a um sol reluzente. 

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Até os bancos externos secarem escolhemos uma mesa na área interna e mesmo antes de irmos ao banheiro tentar secar parte das roupas já pedimos duas w12 para matar a sede dos 6 km de caminhada. Preciso contar como ela desceu?

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Notas sobre a w12:

 

A W12 é uma dark strong ale, estilo quadrupel, de coloração castanho escuro, com espuma persistente. Tem sabor forte, amargor equilibrado com o doce, aromas complexos que lembram frutas passas, baunilha, chocolate e um suave toque de vinho do porto. A acidez e a fermentação também são levemente sentidas. A cerveja é aveludada e licorosa, com final longo e adocicado, é uma cerveja para ser degustada lentamente.

 

Na abadia os monges também produzem queijos, um pâté de carne, um sorvete de cerveja e, no In de Vred, servem outras opções de pratos do cardápio. Nesse dia pedimos uma entrada com queijos, patê e picles e, de prato principal, experimentamos um croque monsieur divino. De sobremesa o sorvete feito de cerveja.

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Tanto o queijo quanto o pâté podem ser adquiridos na lojinha que fica próxima à porta de entrada, além disso, cada visitante pode levar para casa até dois packs com duas cervejas e uma taça, cada. No dia em que estive no local, o da W 12 saía a €22,50.

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Você também pode comprar um engradado de garrafas long neck agendando sua compra, caso esteja de carro e cadastrando a placa do veículo, de acordo com as datas disponíveis no mosteiro.

 

Informações retiradas do site:

 

As cervejas são sempre vendidas por caixa de 24 garrafas (33 cl).

Os preços da caixa da cerveja sem os engradados são:

  • Trappist Westvleteren Blond (5,8 vol.% Alc.) =  € 35,00
  • Trappist Westvleteren 8 (escuro) (8 vol.% Alc.) =  € 40,00
  • Trappist Westvleteren 12 (escuro) (10.2 vol.% Alc.) =  € 45.00

O preço unitário dos engradados e da caixa:

  • Caixa de madeira + 24 garrafas = € 15,00
  • Caixa única de madeira = € 12,60
  • Por garrafa = € 0,10

O reembolso só é feito para garrafas originais com um anel com a inscrição "cerveja trapista" em relevo. O depósito só é reembolsado se os depósitos não forem danificados. As caixas de madeira conservam seu valor quando armazenadas em local seco.

As mercadorias vazias também podem ser sempre devolvidas ao centro de vendas na abadia durante os horários de coleta indicados no calendário deste site.

*Valores obtidos no site em junho de 2019.

 

 

No final do dia resolvemos voltar de nossa trip beer. Ficamos com vergonha de pedir carona e acabamos voltando os mesmo 6km a pé até a estação de Poperinge, mas a volta foi muito mais leve...literalmente...srs já havíamos provado as cervejas e não tínhamos mais pressa para chegar no hotel.

 

Se sobrar tempo (provavelmente não irá) ou se você resolver pernoitar em Poperinge outra boa pedida é a visita a St Bernardus (Watou), bem próxima à Westvleteren já na divisa com a França. Para fazer a visita é necessário reservar pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. Acesse o site oficial da St. Bernardus para obter mais informações.

As visitas são feitas em inglês ou holandês (avise no e-mail qual língua deseja), e tem um custo de aprox. 12,50€. Além de conhecer como é produzida a cerveja, no final tem degustação e um kit com algumas garrafas de cerveja e um copo. Essa visita vale a pena, pois esse tipo de tour não é permitido em Saint Sixtus para ver o processo de fabricação da W12. Dizem que a Abt 12 da St. Bernardus é muito parecida com a Westvleteren 12, pois possuem a mesma receita e o mesmo modo de fazer.

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